Movimento Estudantil e Gestão de DCE

Precisamos pautar por uma gestão transparente, democrática e modernizadora!

Diante dos reflexos conjunturais do Brasil, é natural que se revigore uma força voraz pela renovação dos espaços pelas vias da mobilização social em todas as entidades de representação de qualquer natureza. Porém, reciclar esse espírito extracampi dentro do DCE é irresponsável, arrogante e populista. Precisamos priorizar nossa responsabilidade única em representar e defender os estudantes, em vez de abandoná-los, como a Gestão Todas as Vozes tem feito, e viajar Brasil afora ou ir ao Congresso com o nosso nome para defender pautas de interesses meramente partidários. Por mais que o projeto do partido político deles tenha colapsado, nossa Universidade não deve paralisar ou se envergar diante da indignação “clubista” desses coletivos.

Acreditamos na política da prudência, que somente pode ser estabelecida por uma perspectiva realista sobre a capacidade de atuação e responsabilidades da instituição do DCE.  O objetivo do DCE não é desestabilizar governos e não foi feito para palpitar sobre a conjuntura político-institucional extracampi. O DCE que defendemos deve honrar com seus compromissos, e não promover proselitismos ideológicos e partidários.

Também não devemos assumir a jornada do DCE com a mentalidade burocrática assumida pela Aliança, que imobilizou o debate na universidade, boicotando não apenas os militantes partidários da esquerda, como também outras forças estudantis pró-liberdade que trabalharam em eventos e seminários dentro da UnB para promover discussões sobre temas relevantes. Portanto, nossa posição não é omissa com os compromissos do DCE em levantar o debate público universitário, mas sempre levando em consideração o pluralismo de ideias e a formação política dos estudantes.

Ao contrário da Aliança, que abandonou seus valores, temos sim um lado. Valorizamos princípios de liberdade, pluralismo político, ordenança democrática e dignidade humana, portanto não somos “neutros” frente a certas questões. Temos lado e reforçamos isso em cada proposta e discurso. Porém, não admitimos dogmatismos, partidarismos ou planos hegemônicos em nossa plataforma e equipe, como a Todas as Vozes. Priorizamos o estudante e buscamos soluções práticas para a sua vida na Universidade, tendo sempre como norte ainda os nossos valores costumeiramente defendidos e reforçados.

Acreditamos sim no dever do DCE de mobilizar os estudantes, mas não em prol de bandeiras dogmáticas/distantes ou partidárias, nem por meios de agrupamento de contenção ilegítimos e autoritários (invasões, greves estudantis, piquetes, assembleias ilegítimas e mal comunicadas aos estudantes) que ferem princípios do Estado Democrático de Direito e o direito social à educação. Nossa mobilização eventual em uma gestão de DCE priorizaria o estudante, não uma causa alheia à ele. Por isso, marcharemos junto ao estudante em prol de uma UnB livre, moderna e plural. Buscaremos conscientizar a comunidade estudantil de realidades sensíveis à Universidade por meio de debates diversificados  eventos, rodas de conversa e saraus culturais, superando o desenho institucional do velho movimento estudantil, que alimenta o ódio, a perseguição política e pessoal, destrói a representatividade e a produtividade do movimento estudantil, que acaba se tornando em um estigma para os próprios estudantes – e têm movimentos, ligados ao Grupo Todas as Vozes, que ainda afirmam estar ao lado do estudante, da democracia e dos direitos sociais (em especial, o citado acima).

Hoje, nossa mobilização, junto ao estudante, exige uma observação sobre o estado de comprometimento orçamentário da UnB, sobre o distanciamento institucional da UnB frente a algumas realidades sociais da comunidade candanga (o que não confunde com bandeiras partidárias, e sim linhas de ações possíveis e diretas que a comunidade acadêmica pode adotar, em especial no campo da pesquisa e da extensão). Também temos algumas contradições internas despercebidas pelos campi (apesar de incomodarem setores da comunidade), como o aumento da violência, a precarização do espaço físico da Universidade, os desafios estruturais do HUB, os conflitos envolvendo a regularização dos CAs e os episódios lamentáveis de assédio sexual e de racismo.

Em nossa marcha para um modelo de Universidade livre, plural e moderna, iremos institucionalizar um processo de integração estudantil e mobilização política autêntico, transparente, efetivo e democrático. Chega de proselitismos, “Fora Isso”/”Liberdade para aquilo”, chega de invasões e chega de assembleias improdutivas e sem divulgação notória aos estudantes.

O legado deixado pelo grupo Todas as Vozes representa o que há de pior no movimento estudantil. Em 31 de Outubro de 2016, às 18h, alguns de seus integrantes e apoiadores, representados pela Comissão Eleitoral do DCE, convocaram uma assembleia universitária ilegítima (considerando o papel da CE de somente deliberar sobre as questões eleitorais, não assumindo o papel de gestão de DCE), pautada supostamente no “repúdio estudantil à PEC do Teto de Gastos”, mas que promoveu o maior ato de histeria, autoritarismo e terror da história da UnB, desde a Diáspora de 1965. A forte repressão político-partidária foi sentida no último CEB ocorrido naquele período, em que as forças políticas intimidavam estudantes de todos os cursos a paralisarem a UnB de forma sistemática, agrediram movimentos contra as invasões e greves estudantis e impediam de entrar no anfiteatro do CEB (que é um direito básico de todo estudante participar dele), invadiram mesmo departamentos em que não mobilizaram assembleias suficientes para “legitimar” o processo e forçaram o adiamento das eleições do DCE de novembro de 2016 para abril de 2017, deixando os estudantes sem representação por um semestre!

Não bastando a forte repressão das invasões de 2016, a gestão acumulou escândalos de corrupção. Tendo a maior parte de sua composição representada pelo campo majoritário da UNE, algumas posturas adotadas pelos mesmos para monopolizarem os espaços dessa entidade nacional, que se diz representar todos os estudantes, foram reproduzidas no DCE. Entre essas posturas, a mais comum, e que esvazia a representatividade da entidade, uma entre as mais sujas são as fraudes de atas. Alguns membros da gestão, durante as eleições do Congresso da UNE pela UnB, tentaram articular a fraude da ata da eleição para legitimar o processo diante do quorum e quem sabe negociar com as chapas a quantidade de delegados que cada um deve assumir (como tradicionalmente fazem em várias universidades no Brasil). Essa tentativa foi felizmente frustrada pela divulgação de uma gravação que denunciava essa articulação, com um dos integrantes da gestão afirmando inclusive que isso é um processo “normal” para eles. Não bastando isso, poucas semanas depois, outro integrante do DCE alegou representar um centro acadêmico num CEB, enquanto as eleições de seu CA estavam ocorrendo.

Diante desse cenário, nós atuamos de forma diferente!

Ao contrário da Aliança Pela Liberdade, que se tornou em uma Aliança Pelo DCE, não somos movidos por “burocracismos”, por um egocentrismo vaidoso, pela complacência e pelo mero foco eleitoral. Nossas propostas têm um norte de valores, já explicados acima, que nos tornam determinados para defender o modelo de Universidade que queremos e a nossa visão de movimento estudantil (racional, modernizador e democrático). Racional, porque buscamos soluções reais para problemas reais, uma política de resultados e de gestão eficiente e rejeitamos profundamente o populismo e a demagogia.

Modernizador, porque a nossa maior bandeira é a renovação dos espaços estudantis de representação e da Universidade. Por muito tempo, nossa Universidade continuou persistindo nos atrasos do conspiracionismo de partidos políticos e alguns integrantes da administração da UnB, blindando qualquer possibilidade de mudança institucional significativa que aproxime a UnB de uma universidade livre, moderna e plural.

Democrático, porque queremos um espaço pluralista, que realmente respeite as expressões de todas as vozes, reafirme a necessidade e o papel do debate em uma Universidade, esteja comprometido com o respeito às leis e, principalmente, coloque o estudante em primeiro lugar!

-Modelo de movimento estudantil respaldado nos valores democráticos de soberania/participação estudantil, representatividade legítima e transparente e o pleno convívio com o pluralismo de ideias;

-Defender uma Universidade livre, moderna e plural, sem burocracias desnecessárias, extremismos ideológicos ou partidarismos

-Prestação de Contas da gestão por mês;

-Disponibilização do Plano de Ação da Gestão para a comunidade estudantil

-Grande mobilização pela legalização dos Centros Acadêmicos no ICC;

-Jornal do DCE, cujo objetivo é promover a integração estudantil e fomentar a transparência e a participação dos estudantes no movimento estudantil;

-Transparência nos CEBs e nas Assembleias (comunicação direta com o estudante médio) – acompanhamento em lives de Facebook, publicação de notificações e atas, registro dos votos dos CAS em CEBs;

-Representação delegativa do DCE nos campi avançado;

-Defesa da institucionalização das Atléticas;

-Diálogo cotidiano com os centros acadêmicos;

-Apoio à institucionalização de um Diretório Acadêmico na FCE;

-Criação de uma página do DCE, que organiza melhor as informações e conteúdos relevantes sobre a UnB, sobre o próprio DCE e para institucionalizar uma mídia estudantil;

-Política do Pluralismo Democrático: não-articulação de opinião institucional sobre conflitos da conjuntura política da País (salvo as raras exceções que envolvem diretamente a comunidade acadêmica da UnB) e construção de eventos, debates e seminários, dedicados à formação política dos estudantes e o fomento do debate, sobre diversos temas (capacitação de liderança, debates sobre saúde, segurança, conjuntura, minorias e meio ambiente)

-Abertura do Grupo de Leitura José Bonifácio (leituras online e presenciais a cada 2 semanas, abordando temas de conjuntura política, democracia e liberdade, identidade nacional, economia de mercado e socialismo, teorias políticas, etc);

-Abertura da Universidade para eventos com a sociedade;

– Estímulo à cultura do retorno social e engajamento em campanhas solidárias

-Avaliações, pesquisas e consultas populares que busquem aproximar o estudante do DCE

-Realização de um evento celebrando os 30 anos da Constituição Federal, com discussões, palestras e rodas sobre temas relevantes para a conjuntura política do País

-Abertura total com os estudantes em reuniões do DCE e reaproximação do DCE com os mesmos

-Criação da Rádio do Estudante (via podcasts)

-Pleitear no Congresso Estudantil o direito de participação e voto das Empresas Juniores da UnB nos CEBs (Conselho de Entidades de Base)

-Reestruturação financeira do DCE – dividendos de atividades subsidiárias comerciais e outros recursos

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